| O brasileiro Eike Batista quer ser o mais rico do mundo |
|
- Fortuna de Eike Batista soma US$ 27 bilhões, a oitava maior do mundo, segundo Forbes
- Lucratividade das empresas de Eike Batista cresceu até 682% nos últimos doze meses - No Rio, um projeto para “matar paulista de inveja” A busca quase obsessiva por tal meta é causa e consequência de um estilo que combina obstinação, superstição e racionalidade, uma conjugação de astros destinada a fazer negócios ao redor do mundo. A trajetória deste mineiro de Governador Valadares e carioca o fez sair da condição, por décadas, de “o filho de Eliezer Batista”, depois “o marido da Luma de Oliveira” até o magnata capaz de anunciar novos empreendimentos a cada semana. Aos 52 anos, Eike mostra uma crescente musculatura, como se viu no substancial salto que deu no ranking dos bilionários, segundo a revista Forbes saindo da 69ª posição em 2009 para 8ª maior fortuna do mundo em 2010. “It’s not all about money”, costuma dizer aos interlocutores, buscando aplacar a imagem de um utilitarista movido pela vaidade de escalar o ranking das fortunas globais. Não raro, ele pontua suas frases com expressões e sentenças inteiras em inglês. Para Eike não se trata apenas de dinheiro, “é preciso criar valor, multiplicar e dividir riqueza com acionistas, parceiros, colaboradores, a sociedade”. Segundo ele, isso é bom para o Brasil. O empresário, no entanto, não esconde o prazer juvenil que sente na hora de calcular sua fortuna. “Quero fazer você rico e ficar mais rico ainda” Em conversa com auxiliares e amigos de Eike, descobre-se, por exemplo, que nos corredores da EBX, a holding que reúne empresas das áreas de mineração, logística, energia e petróleo, ouve-se com frequência uma frase tida como exemplar do espírito de suas empresas: “Quero fazer você rico e ficar mais rico ainda”. Ele costuma repeti-la aos executivos que contrata para as empresas do grupo, método destinado a formar um time de profissionais renomados, capazes de garantir credibilidade a cada um dos projetos. “Eike lança desafios e distribui riquezas, mas cobra resultados na mesma medida de sua generosa política de remuneração”, diz Raphael de Almeida Magalhães, integrante do círculo mais próximo de conselheiros das empresas de Eike. Apesar de ver o empresário ligar-se habitualmente a cifras, presentes ou futuras, um diretor da área financeira do grupo, que prefere não se identificar, garante que muito do que se fala de Eike não é verdadeiro. “Ele não rasga dinheiro. Há método e risco calculado. Não há loucura nem aventura”, define este diretor. Entre o cálculo e a audácia, até mesmo os auxiliares mais próximos se impressionam com o tamanho e a rapidez do crescimento de sua fortuna – salto garantido graça, em parte, a uma característica singular, a de empreendedor serial, que assume riscos e pensa grande. Raphael de Almeida Magalhães afirma: “A grande diferença dele em relação a outros empresários é que assume a postura de um gestor de recursos de terceiros, o que passa extrema confiança aos investidores”. Do sol ao X Eike pode não ser um aventureiro, mas sua vida pessoal e seus negócios são entremeados por um indisfarçável lado místico e supersticioso. Para espantar más energias, ele aplica o feng shui, conhecimento chinês segundo o qual a disposição dos objetos influi no cotidiano das pessoas. No seu escritório, no 10º andar de um edifício com vista para a Baía de Guanabara, ele se senta voltado para a porta. Apega-se com fervor ao número 63 – o mesmo usado em suas lanchas de corrida – ao ponto de definir até os centavos nos lances de sua empresa OGX em leilões de blocos para exploração de petróleo. Essa subjetividade vai além da numerologia. O sol, marca presente em todas as suas empresas, foi escolhido por ser, na mitologia inca, um símbolo de força, otimismo, poder e liderança. Há também o X, defendido por ele como símbolo do potencial de geração e multiplicação de negócios. Cristais, paus de canela, folhas de louro e ramos de trigo o ajudam também a espantar o mau-olhado. Disciplina alemã Eike Fuhrken Batista é o segundo dos sete filhos de Eliezer e Jutta Batista. O pai, ex-ministro do governo João Goulart e ex-presidente da Vale por duas décadas, é considerado até hoje o papa da mineração brasileira. Com a constantes viagens do pai – só para o Japão, participou de 178 missões pela Vale – a tarefa de cuidar dos filhos coube a Jutta, uma alemã que passou para os filhos a disciplina herdada da família.
Volta e meia Eliezer é usado pelos desafetos e concorrentes para pôr uma zona de sombra sobre os negócios de Eike. Na expansão do grupo X, na década de 80, o pai o teria favorecido com informações sigilosas sobre o mapa mineral do País. Não há comprovação da suspeita, e sempre que jornalistas se referem ao assunto ele se diz injustiçado. “Não o influenciei em quase nada, a não ser nas linhas gerais de pensamento de fazer coisas grandes e globais”, disse Eliezer ao divulgar o documentário que lhe homenageou. “O Eike constrói riqueza. No meu campo de trabalho, a engenharia, ele me superou”. Eike nasceu em Governador Valadares, mas chegou cedo ao Rio de Janeiro, depois de breve passagem por Vitória (ES). Em 1969, aos 12 anos, abandonou o ginásio no colégio Corcovado e mudou-se com a família para Frankfurt, na Alemanha. Aos 18, entrou na faculdade para cursar engenharia metalúrgica em Aachen, considerada uma das melhores da Europa. Na época, aperfeiçoou o inglês e aprendeu o francês. O alemão, já falava em casa. Nascido de uma autoclassificada família de classe média alta, Eike não teve vida fácil. A partir da universidade, o pai cobrou-lhe a sustentação dos próprios estudos. Com mesada curta, oferecia seguros residenciais de porta em porta, período em que desenvolveu o talento de empreendedor. De volta ao Brasil, em 1979, embrenhou-se na Amazônia para comprar e vender ouro. Montou uma mina no meio da selva. Depois se tornou executivo e mais tarde controlador da mineradora canadense TVX Gold. Em público, ele já contou que saiu do Canadá, em 2000, com seu primeiro bilhão de dólares. Em dez anos, portanto, sua fortuna cresceu 27 vezes. A dúvida é o patamar a ser atingido nos próximos dez. |
| Formas de Pagamento: | |
![]() |
![]() |

Se mantiver o ritmo do programa de aceleração de sua fortuna, o empresário Eike Batista corre o risco de cumprir o que parecia ser impossível: Tornar-se o homem mais rico do mundo nos próximos dez anos. Feita em fevereiro, em entrevista à TV americana PBS, a promessa previu que, até lá, Eike terá amealhado um patrimônio de US$ 100 bilhões.
“Meu pai doou um tempo enorme ao trabalho. A dose foi demais, e ele sabe disso”. Distantes no passado, os dois são mais próximos no presente. Eliezer é um dos seus ídolos, garante Eike. Ídolo e principal consultor, uma espécie de azougue intelectual e estrategista. A mãe morreu em 2003.














